qui, 29 mar

5 dicas sobre Sarampo

Qual é a solução para quem não pode ser vacinado?

Se uma pessoa não imunizada contactar com pessoas com sarampo e não puder ser vacinada, temporária ou definitivamente, pode fazer uma profilaxia com imunoglobulina humana (um preparado injetável de anticorpos).

No caso de o impedimento para a vacina ser temporário, como sucede com a gravidez, com crianças de idade inferior a 6 meses ou em estado de deficiência imunitária transitória, e estiver indicada a vacinação posterior, esta só deverá ser feita 5 a 6 meses depois da imunoglobulina.

 

Quais são as complicações mais perigosas do sarampo?

São a otite média bacteriana (que pode provocar surdez), a pneumonia (viral, provocada pelo próprio vírus do sarampo, ou bacteriana secundária), as convulsões, a encefalite aguda viral, a púrpura trombocitopénica aguda (dimunuição do número de plaquetas, que pode provocar hemorragias), a hepatite aguda e a pan-encefalite esclerosante sub-aguda (muito rara, surge muito depois da doença inicial se ter resolvido e é fatal).

Nas crianças com sarampo não se deve usar medicamentos com ácidoacetilsalicílico para controlar a febre, devido ao risco de complicação por síndrome de Reye e de agravamento das hemorragias associadas à púrpura).

Nas crianças, a deficiência de vitamina A associa-se a formas mais graves de sarampo e a sua suplementação reduz a gravidade e as complicações da doença e a mortalidade, pelo que se recomenda a administração oral de duas doses de vitamina A (50.000 UI até aos 6 meses de idade, 100.000 UI dos 6 aos 11 meses e 200.000 UI depois dos 12 meses) em dois dias seguidos, embora este tratamento não seja consensual.

 

Há possibilidade de um recém-vacinado espalhar o vírus do sarampo nas primeiras 4 semanas?

Como a produção de anticorpos pelo sistema imunitário demora alguns dias, a proteção só se torna eficaz cerca de duas semanas após a administração da vacina, pelo que, durante esse tempo é possível ser-se contagiado e também disseminar a doença.

Após este período de duas semanas a probabilidade de contágio reduz-se substancialmente, embora não exista uma garantia absoluta de proteção, porque nem todas as pessoas respondem com o mesmo nível de produção de anticorpos e porque a proteção mais adequada é conferida por duas doses da vacina (respeitando um intervalo mínimo de quatro semanas entre as duas doses).

 

Qual é a estirpe do sarampo responsável pelo surto?

Segundo a Direção-Geral da Saúde, ainda está em curso a investigação epidemiológica detalhada da situação, não tendo sido publicada informação sobre o genótipo do vírus responsável por este surto (em 2017 foram identificados os genótipos B3 e D8).

 

Uma criança com imunidade reduzida deve levar a vacina?

Enquanto as vacinas inativadas não apresentam contraindicações (não há diferenças entre imunodeficientes e imunocompetentes), as vacinas vivas, como a do sarampo, podem estar contraindicadas temporária ou definitivamente, pelo que a decisão de vacinar compete ao médico assistente da criança. Isto porque existem diferentes tipos de deficiência imunitária, porque a sua gravidade é variável e porque algumas situações de imunidade reduzida são transitórias (fazem parte do quadro clínico de doenças que se curam ou são provocadas pela toma de medicamentos imunossupressores).

 

Se quiser ter consulta com o Dr. Viriato Horta, especialista de Medicina Geral e Familiar, pode marcar consulta na Clínica Europa (Carcavelos).

 

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