qui, 9 ago

4 dicas para uma comunicação eficaz

Há palavras «MAIS» e palavras «MENOS». Há palavras que nos marcam, seja pela positiva ou pela negativa, e há palavras que não nos dizem nada. Este último tipo de palavras têm uma carga semântica neutra. São palavras que não aquecem nem arrefecem, como por exemplo a palavra «cadeira» e a palavra «pulseira».

Sandra Duarte Tavares, consultora linguística, esteve no programa a falar sobre palavras mágicas a comunicar.

A importância de chamar os outros pelo nome próprio dá logo uma segurança maior a quem intervem e uma boa impressão ao interlocotor que está a ser chamado. Todos nós ficamos surpreendidos e satisfeitos quando alguém que não conhecemos nos trata pelo nome. Denota, à partida, um cuidado por parte de quem quer falar connosco.

Ao usarmos a expressão «Imagine que» levamos o interlocutor a pensar no que estamos a dizer. Mesmo antes de terminarmos a nossa ideia, já está «vendida» porque a pessoa com quem estamos a falar já está a visualizar e a criar ideias reais dos benefícios e das vantagens do assunto sobre a decisão que nós queremos que o outro tome, ou seja, a desejar e a aceitar como válida a nossa proposta.

É sempre uma boa opção usarmos palavras afetuosas, como por exemplo compromisso, amor, fidelidade e confiança – e mecanismos e recursos de delicadeza linguística – como por exemplo «Não se importa de …», «Seria possível….», «Vê algum inconveniente…» - para promover uma satisfação confortante na pessoa com quem estamos a falar, ou seja, tocamos no coração dessa pessoa e assim conseguimos criar empatia com o outro de uma forma educada e quase imediata. 

Logo, é de evitar usar verbos imperativos e usar o verbo «querer» porque têm uma carga negativa e agressiva.

«Não se preocupe» - é uma expressão que devemos usar em momentos de uma forte tensão ou de conversas desfavoráveis. Esta expressão vai deixar o outro mais confortável.

A palavra obrigada deve fazer parte da nossa convivência com os outros. Esta palavra tem que concordar com o sujeito que fala, ou seja, as senhoras dizem «obrigada» e os senhores dizem «obrigado». Este agradecimento é importante poque linguisticamente é como se fosse um abraço verbal.

A somar a estas sugestões, é importante também - e sobretudo - sermos facilmente compreendidos pelo outro quando comunicamos. Assim, seguem-se algumas dicas para uma comunicação clara!

 

1. Use palavras simples

As palavras são a matéria-prima da comunicação, por isso, devemos escolhê-las criteriosamente em função do nosso interlocutor. É para ele que falamos ou escrevemos, verdade?

Para que qualquer mensagem seja eficaz e cumpra o seu objetivo, as palavras não devem ser difíceis e desconhecidas, uma vez que dificultam a compreensão da mensagem e desmotivam quem a recebe. Por exemplo, para quê usar a palavra monitorização, em vez de controlo? Ou o verbo agudizar, em vez de piorar? Ou a palavra inviabilização, em vez de impedimento?

Evite o uso exibicionista de palavras eruditas e complicadas e opte sempre por palavras simples, comuns e reconhecidas instantaneamente pelo seu interlocutor, para que a comunicação flua como um rio e não se torne uma difícil escalada no Everest!

 

2. Use frases curtas

Além de palavras simples, utilize também frases curtas. O seu interlocutor deseja compreender de imediato o que lê ou ouve, quer receber a mensagem com prazer e sem esforço.

Frases demasiado longas são um tropeço ao processamento da mensagem, por isso, use frases breves, na ordem direta (sujeito, predicado, complementos), para serem facilmente entendidas.

Para quê dizer “indisponibilidade temporária dos serviços de eletricidade”, se pode dizer “falta de luz”? Ou “alcançar uma vitória eleitoral”, se é muito mais simples dizer “ganhar as eleições”?

Descomplique sempre o seu discurso. O seu interlocutor ficar-lhe-á muito agradecido!

 

3. Seja breve e objetivo

Comunicar com clareza é também respeitar a memória do seu interlocutor. Textos e discursos longos e demasiado palavrosos são a desculpa perfeita para ele desistir de o ouvir ou ler, por isso, se quer mantê-lo consigo, então seja breve e objetivo!

Um bom comunicador é aquele que consegue transmitir uma mensagem útil e interessante num

curto período de tempo.

Respeitar o tempo de quem o ouve é mais do que lhe agradar. É dar-lhe honra.

 

4. Evite terminologia técnica

Evite também utilizar termos técnicos quando comunica, mas se a situação assim o exigir, deverá sempre explicitar esses termos, usando exemplos claros, preferencialmente.

Se um médico, ao falar com um paciente, usar os termos ablepsia e síncopedeverá ter o cuidado de explicitar o seu significado: “cegueira” e “desmaio”, respetivamente.

Lembre-se: a comunicação não deve ser uma corrida de obstáculos, por isso, por mais complexa que seja a mensagem, um bom comunicador é aquele que a consegue sempre descomplicar.

 

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