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Remédio Santo
Um ambiente místico e quase mágico, em que cada um procura um remédio santo para todos os seus males.
Trinta anos depois, Violante vê-se obrigada a regressar de Espanha - para onde foi viver e onde casou por conveniência - para Portugal. Nesse regresso, mata acidentalmente o marido, descobrindo posteriormente que este lhe escondera um filho bastardo durante toda a vida. Sentindo-se enganada, Violante entra em guerra aberta com Armando Ferreira, o filho bastardo do marido, com quem tem que disputar a herança do falecido, ao mesmo tempo que reencontra Daniel, o homem que mais a fizera sofrer.
Na origem desta reviravolta total da vida de Violante, está a sua filha Helena, cuja rebeldia e inconsequência não têm limites. Helena está envolvida com Gonçalo Monforte, um dos filhos do antigo namorado da mãe. Tal como o pai fizera no passado, Gonçalo abandona Helena e esta, enlouquecida de amor, inventa que está grávida e vem atrás dele para Portugal, para o obrigar a ficar com ela. Mas Gonçalo não a ama, nem quer saber dela. O seu coração vai pertencer a Aurora, sem saber que esta é uma mulher proibida para ele e para todos os homens, pois foi erigida à condição de santa praticamente desde o seu nascimento. Gonçalo e Aurora terão sempre Helena entre eles, disposta a fazer a vida negra a quem se atravessar no seu caminho para impedir o seu casamento com o rapaz.
Em Viseu e na aldeia de Mundão, circulam tipos pitorescos com quem as duas «espanholas» se vão cruzar:
Hortense, conhecida como «Viúva Branca», por já ter despachado três maridos, mas ter esperança no quarto;
Evangelina, uma aristocrata falida, que recorre a uma série de disfarces para ganhar dinheiro;
As irmãs Muleta Negra - Maria Polícia, Maria Coveira e Maria dos Caixões - sempre a lidarem com a vida e com a morte, desde a agência funerária «Conforto Eterno» até aos bailes das viúvas, divorciadas, solteiras e mal casadas que organizam em sua casa;
Ao falso coxo Renato, o maior «pintas» da região, que se aproveita duma suposta deficiência para viver à custa da mulher, Sara, que se mata a trabalhar em prol da família;
O pastor Ângelo, cuja flauta tem poderes mágicos, provocando boas sensações em quem a ouve;
Até a uma figura misteriosa, vestida de preto, encapuzada e munida de um cajado, que atravessa o rio durante a noite numa jangada, deixando cartas à porta de pessoas a avisá-las que morrerão no dia seguinte, mortes essas que se concretizam.
Amor, romance, humor, fantasia, ódios, traições e invejas, santos e demónios, misturam-se num ambiente místico e quase mágico, em que cada um procura um remédio santo para todos os seus males. Basta apenas descobri-lo...